quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A cura do Evangelho ou o evangelho da "cura"




Dias difíceis esses em que vivemos . Principalmente pelo fato de que há uma flagrante "onda" de inversão de valores . No campo da pregação por exemplo : teologia da prosperidade ,confissão positiva ,triunfalismo etc...
Na verdade somos sabedores e aceitamos o fato ,de que, Jesus cura enfermidades. O que não concordamos é com o foco desvirtuado e sem respldo bíblico que estas estão, ao lado do "sucesso financeiro" recebendo nos arrais ditos cristãos.
O texto de Marcos 16.15,por exemplo começa com a pregação do evangelho.Mateus 28.19ss com o ensino.Seria isso mera coicidência? Não entendemos assim! Isso porque as "Escrituras" apresentam os milagres como mostra do poder de Deus e como confirmação da Palavra proclamada.

"
Os milagres provaram a fonte da mensagem. Quando Deus enviou Moisés ao Egito, ele lhe deu sinais milagrosos para provar que sua mensagem era realmente divina (Êxodo 4,1-17).
Os milagres de Jesus provaram seu poder para perdoar pecados. Estude o relato de Marcos 2,1-12, observando especialmente as palavras de Jesus nos versículos 10 e 11: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados - disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.”
O povo entendeu que os sinais introduziram uma nova doutrina. As pessoas em Cafarnaum perguntaram: “Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!” (Marcos 1,27).
O Espírito Santo deu poderes miraculosos aos apóstolos para confirmar a palavra que eles pregaram (Marcos 16,20). Paulo descreveu esses sinais como “as credenciais do apostolado” (2 Coríntios 12,12).
Alguns anos depois, o autor de Hebreus falou que a palavra dos apóstolos foi confirmada junto com o testemunho de “sinais, prodígios e vários milagres” (Hebreus 2,3-4). (
acesso em 12/08/2009 )

Portanto o foco não são os milgres mas sim Quem os opera - Jesus .O Evangelho de fato promete cura.São uma concequencia da pregação E não o oposto!

domingo, 9 de agosto de 2009

Breve !!!

Estamos graças a Deus com uma carga soblevada de trabalho secular e eclesiastico nestes dias ,daí não estarmos tendo tempo para postagens.
Porém estamos preparando assuntos e temas importantes ...


Breve...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A UNÇÃO DO SANTO


Uma das provas da salvação é a presença contínua, a habitação do Espírito Santo no salvo.
Texto áureo – “E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo.” (I Jo.2:20)


INTRODUÇÃO

- No estudo deste trimestre, a respeito da primeira carta de João, a título de complemento, resolvemos tratar de um tema que não foi objeto de qualquer das lições: a unção do Santo.

- João é o único a se utilizar, em o Novo Testamento, da palavra “unção”, as duas vezes na sua primeira carta.

I – O QUE É UNÇÃO

- No estudo da primeira carta de João, notamos que, por falta de espaço, não se tratou de um tema, o da “unção do Santo”, expressão que é unicamente utilizada em o Novo Testamento pelo apóstolo João, por duas vezes, em sua primeira carta, sendo, pois, oportuno que o enfrentemos, a título de complemento para as lições deste trimestre, até porque uma das falsas doutrinas que se têm disseminado no meio evangélico é a referente à “nova unção”.

- A palavra “unção” só aparece, em o Novo Testamento, em duas referências, ambas no capítulo 2 da primeira carta de João (I Jo.2:20,27), a demonstrar que foi o “apóstolo do amor” quem tratou, com estes termos, da questão atinente à “unção do Santo”, como uma das demonstrações da salvação na vida de alguém. Ao verificarmos como o apóstolo tratou do tema, temos muito a aprender, máxime quando se está a aparecer uma série de “novas unções”, enganando a muitos.

- A palavra “unção”, no grego, é “chrisma” (χρισμα), palavra, aliás, que foi apropriada pela Igreja Romana para dar nome a um de seus “sacramentos”, o “sacramento da confirmação” ou “sacramento da crisma”, quando se entende que é o católico “revestido do Espírito Santo” por um ato necessariamente presidido por um bispo, quando se unge o fiel romanista com óleo.

- “Unção” é, precisamente, “o ato de ungir, de aplicar óleo consagrado sobre uma pessoa ou alguém”, de “untar, esfregar óleo sobre alguém”. Tem-se a unção, portanto, como o derramar ou esfregar óleo sobre alguém, ato que, em hebraico, é denominado de “mishchah” (משתה), palavra que é encontrada em diversas passagens do Antigo Testamento, sempre indicando o óleo ou o ato de derramamento do óleo sobre pessoas ou coisas.
OBS: Na Versão Almeida Revista e Corrigida, em Is.10:27, a palavra traduzida por “unção” não é “mishchah”, mas “shemen” (שמן), cuja melhor tradução é “gordura”, palavra, aliás, que é utilizada na Versão Almeida Revista e Atualizada, enquanto que a Nova Versão Internacional traduz a palavra por “vocês estarão muito gordos”.

- A unção, no Antigo Testamento, era um ato pelo qual se derramava azeite puro de oliveiras (Ex.27:20) sobre pessoas ou coisas para indicar que estes objetos ou estas pessoas estavam agora separadas para o serviço do Senhor, eram “consagradas ao Senhor”. Assim, não só os objetos do tabernáculo (e, depois, do templo) eram ungidos (Ex.40:9,10; Lv.8:10), como também eram ungidos os sacerdotes (Ex.28:41; 29:7,21; 40:15; Lv.8:12,30), os profetas (I Rs.19:16) e os reis (I Sm.9:16), pessoas que eram escolhidas e separadas por Deus para tarefas e missões específicas no meio do Seu povo.

- A unção era um símbolo, portanto, da separação da pessoa para o serviço do Senhor, para a realização de uma tarefa determinada por Deus. Por isso, diz o salmista, deveriam todos tomar muito cuidado no seu relacionamento com os “ungidos” (I Cr.16:22; Sl.105:15), porque a unção era um ato irrevogável, vindo da parte de Deus, que marcava para sempre a vida daquele que era escolhido e separado por Deus para uma obra específica.

- A unção era mais uma das “sombras dos bens futuros” que caracterizava a lei (Hb.10:1). Na verdade, a unção de objetos e de pessoas com azeite de oliva no tempo da lei sinalizava para a “unção do Santo”, que é mencionada pelo apóstolo João, ou seja, a presença do Espírito Santo na vida daquele que, escolhido por Cristo, passa a ter comunhão com Deus por causa da salvação pela fé em Jesus.

- Por primeiro, devemos lembrar que Jesus é o “Messias”, o “Cristo do Senhor” (Lc.2:26), ou seja, o “Ungido”, pois tanto a palavra hebraica “Maschiyach” (משיה) quanto a palavra grega “Christos” (χριστος) significam “ungidos”, tendo a mesma raiz de “unção”, como vimos supra.

- Não é por outro motivo que o apóstolo Pedro, ao pregar na casa de Cornélio, fez questão de afirmar que “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” (At.10:38a), mostrando, assim, que Jesus era o “Cristo”, Aquele que havia sido vaticinado pelos profetas, Aquele que teria a plenitude do Espírito de Deus na Sua vida, que, por isso, redimiria não só Israel mas todo o mundo.

- A unção prevista e regulamentada na lei de Moisés, portanto, era apenas figura de uma realidade espiritual, qual seja, a de que, com a vinda do “Messias”, do “Ungido”, o próprio Deus passaria a ungir aqueles que escolhesse para que fossem transformados e se tornassem homens e mulheres em comunhão com Deus, consagrados a Deus, verdadeiro povo de Deus.

- A unção constante do Antigo Testamento, portanto, não pode servir de parâmetro para a Igreja, na dispensação da graça, daí porque não podermos ungir objetos ou pessoas, como se fazia naquela época, com a única exceção da unção de crentes enfermos, por haver previsão bíblica para tanto (Tg.5:14), devendo todas as demais hipóteses constantes nas Escrituras hebraicas serem tratadas como são, ou seja, como “sombras dos bens futuros”, como figura da realidade espiritual, que é a “unção do Santo”.

- Esta “unção do Santo”, de que trata o apóstolo João em sua primeira carta, deve ser entendida diante do ensino já mencionado a respeito da unção divina sobre Jesus. A Bíblia mostra-nos que, no limiar de Seu ministério público, Jesus, ao ser batizado por João, teve o testemunho do Pai e a vinda do Espírito Santo sobre Ele (Filho), sob a forma corpórea de uma pomba (Mt.3:16,17; Mc.1:10,11; Lc.4:21,22; Jo.1:32-34).

- A partir deste momento, Jesus passou a ser guiado pelo Espírito Santo. Ao sair da água, no outro dia, Jesus, em vez de iniciar pregações, foi para o deserto, impelido que foi pelo Espírito Santo (Mt.4:1; Mc.1:12). A partir do momento que Jesus passou a ser o Cristo, ou seja, o Ungido, não mais fez o que quis, mas passou a ser guiado, dirigido pelo Espírito de Deus.

- Vemos, pois, que a unção é, antes de mais nada, a ação do Espírito Santo sobre a vida do ser humano. Numa feliz definição, podemos dizer que “…A unção é o próprio Espírito Santo que habita no regenerado. Dessa forma, todo verdadeiro cristão é ungido por Cristo, com o Espírito de Deus.…” (SIQUEIRA, Gutierres. O que é unção? Disponível em: http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/05/o-que-uno.html Acesso em 29 jul. 2009).

- O Senhor Jesus, em Suas últimas instruções aos discípulos, antes de ser preso e morto, deu ensinamento a respeito do Espírito Santo, tendo, naquela oportunidade, dito que o Espírito, que viria a ser o “outro” Paráclito, ou seja, Aquela Pessoa divina que manteria a companhia com a Igreja (Jo.14:16) até “os tempos da restauração de tudo” (At.3:21), era a Pessoa divina escolhida para ficar com os salvos para sempre, para habitar no crente, para nos ensinar todas as coisas e nos fazer lembrar de tudo quanto havia sido dito pelo Senhor Jesus (Jo.14:17,26).

- Assim como o Senhor Jesus passou a ser guiado e dirigido pelo Espírito Santo a partir do Seu batismo, a fim de cumprir a obra que tinha sido determinada pelo Pai (Jo.17:4), também os discípulos de Jesus receberiam em si mesmos “a unção do Santo”, a fim de que, passando a ser “habitação do Espírito Santo”, pudessem ter a companhia, o ensino, a lembrança, como também a direção, o anúncio do que há de vir, fazendo-nos instrumento para a glorificação do Filho (Jo.16:13,14).

- Quando o apóstolo João nos fala da “unção do Santo”, está a nos lembrar de que somos habitação do Espírito Santo e que é Ele quem nos ensina todas as coisas. Por isso, quem tem “a unção do Santo” “sabe tudo”. Isto quer dizer que o crente que tem a unção não precisa aprender coisa alguma? Evidentemente que não!

- Assim como o apóstolo João nos ensina, em sua primeira carta, que, conquanto o filho de Deus não peque, não há filho de Deus que não peque, ou seja, que, embora o pecado não seja um elemento a caracterizar o salvo, o salvo, enquanto estiver neste mundo, está sujeito a pecar, por acidente, devendo, então, buscar o perdão para com o Pai por meio de Jesus Cristo, também nos ensina que o salvo, embora tenha a unção do Santo, e, por isso, tenha a possibilidade de tudo saber, pois o Espírito Santo nos ensina todas as coisas, pode ser iludido e ser vítima dos falsos profetas, devendo, pois, ser vigilantes e cônscios de que estamos “na última hora”, devendo reter tudo aquilo que o Espírito tem nos ensinado (I Jo.2:24), pois, embora tenhamos a unção do Santo, podemos, sim, ser enganados (I Jo.2:26).

- A “unção do Santo”, portanto, pode tanto ser interpretada como a mesma unção que veio sobre o Filho, quando de Seu ministério público, que o fez ser dirigido e guiado pelo Espírito Santo desde então para realizar a obra que havia sido determinada a Ele e que continua através do Seu corpo, que é a Igreja, como também “a unção do Espírito Santo”, ou seja, a ação do Espírito Santo em nossas vidas, que nos faz servir a Deus e a glorificar o nome de Jesus, em nossa jornada rumo ao céu.

II – A UNÇÃO DO SANTO

- Visto o que é a unção e a “unção do Santo”, devemos, então, observar quais são as características e as consequências desta unção na vida do salvo, dos “filhinhos”, como carinhosamente identifica o apóstolo João os servos do Senhor Jesus.

- O apóstolo é enfático ao dizer que “os filhos de Deus têm a unção do Santo”. Vemos, portanto, que a “unção do Santo”, ao contrário do que muitos estão a dizer na atualidade, não é uma “capacidade especial dada por Deus a alguém”, nem tampouco uma “parcela específica do poder de Deus”, mas, antes, uma característica comum a todos os filhos de Deus. João não fez qualquer ressalva, tão somente disse que os filhos de Deus têm a unção do Santo.

- Para que alguém seja salvo, dizem as Escrituras, é preciso que nasça de novo, ou seja, que a pessoa se torne uma nova criatura. Para que isto ocorra, é preciso que a pessoa nasça da água e do Espírito (Jo.3:5,6). Ninguém poderá alcançar a salvação se não houver uma operação do Espírito Santo na sua vida, operação que é denominada pelos teólogos de "regeneração".

- O processo da salvação do homem começa pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus (Rm.10:17). A partir do momento que a Palavra é pregada, o Espírito Santo passa a atuar sobre o ouvinte, convencendo-o do pecado, da morte e do juízo (Jo.16:8). Convence o homem do pecado, pois o homem sem Deus não crê em Jesus e, pela atuação do Espírito Santo, passa a crer que a Palavra de Deus é a verdade(Jo.17:17) e que existe o pecado que faz divisão entre o homem e Deus(Is.59:2) e que somente Jesus pode derrubar a parede de separação que existe(Ef.2:14), através do perdão dos pecados. A atuação do Espírito Santo é indispensável para que o homem seja conscientizado da justiça divina e que Deus, em Cristo, propiciou um meio de salvação para o homem. Jesus não está mais entre nós, fisicamente, e, portanto, é necessário que o próprio Deus Se manifeste e demonstre a Sua justiça, o que se faz mediante a Pessoa do Espírito Santo. Por fim, deve o homem ser convencido a respeito do juízo, ou seja, de que o mal e o pecado já foram julgados por Deus e que estão aguardando apenas a execução da sentença, algo que somente Deus pode fazer, através do Espírito Santo.

- Vemos, portanto, que o Espírito Santo é indispensável para que o homem seja convencido do pecado, da morte e do juízo e, assim, resolva se arrepender dos seus pecados e mudar a direção da sua vida, que é o que denominamos de "conversão". A fé salvadora, como nos explica Paulo, é um dom de Deus e, como tal, é algo que é trazido ao nosso ser pelo Espírito Santo. Não é possível que alguém se arrependa de seus pecados sem que o faça por força da atuação do Espírito Santo. O sentimento de tristeza advindo de termos cometido um erro mas que advenha de nosso próprio intelecto não é um arrependimento, mas tão somente um remorso e, como tal, não traz qualquer salvação. Vemos isto, claramente, no episódio que envolveu Judas Iscariotes que, por ter tido apenas remorso, não alcançou a salvação (Mt.27:3-5).

- O Espírito Santo, portanto, a exemplo do que ocorreu no ventre de Maria, continua a operar a obra da geração do novo homem, os filhos de Deus, aqueles que não pertencem ao mundo, aqueles que são novas criaturas. É importantíssimo saber que o salvo passa por este processo de novo nascimento e por esta geração da água (que é a Palavra de Deus) e do Espírito. Esta geração, este novo nascimento, é espiritual e nada tem a ver com a pertinência a este ou aquele grupo religioso, tampouco com o batismo nas águas, que é apenas uma confissão pública de alguém no sentido de que passou por este processo do novo nascimento. É por isso que não podemos reconhecer no batismo o processo de purificação dos pecados e de salvação, pois, na verdade, este processo não é feito por um ritual, mas por uma operação do Espírito Santo na vida do pecador que se arrepende.

- Esta nova geração, produzida pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus (I Pe.1:23), faz-nos um novo ser, um ser que tem comunhão com Deus, e que, por isso mesmo, é chamado de vivificado em Cristo (I Co.15:22), uma nova criação, que passou da morte para a vida(Jo.5:24), ou seja, que vivia distanciada de Deus mas agora está em comunhão com Ele.
OBS: " Cinco fatos concernentes à natureza da regeneração precisam ser vistos: (1) uma nova vida foi gerada, por meio disso, e é eterna; (2) essa vida é a natureza divina; (3) o crente é gerado pelo Espírito; (4) Deus, o Pai, se torna o seu Pai legítimo; (5) portanto, todos os crentes são herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. Do lado humano, a regeneração está condicionada simplesmente à fé (Jo.1.12,13; Gl.3.26)" (CHAFER, Lewis Sperry. Teologia sistemática, v.8, t.4, p.227)

- Quando a pessoa aceita a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, arrependendo-se dos seus pecados, como vimos, decide mudar de direção na sua vida, converte-se, porque é convencido pelo Espírito Santo. Neste instante, ao aceitar a Jesus, a pessoa tem perdoados os seus pecados e é purificada pelo sangue do Cordeiro (I Jo.1:7; 2:1). Como consequência do perdão dos pecados, a pessoa passa a ter livre acesso a Deus, pois não existe mais qualquer separação entre ela e a Divindade, já que os pecados foram perdoados, restabelecendo-se, portanto, a comunhão com Deus. Esta comunhão caracteriza-se pela circunstância de o espírito humano ser vivificado, ou seja, aquela parte do homem que estava sem função, separada de Deus, feita, exatamente, para que mantenhamos este contacto com o Senhor, é ativada e este espírito passa a ter um relacionamento com Deus. Ora, a Pessoa da Trindade que faz este relacionamento entre o homem salvo e o seu Criador é, precisamente, o Espírito Santo.

- O Espírito Santo testifica com o nosso espírito de que somos filhos de Deus (Rm.8:16). O Espírito Santo permite-nos conhecer a vontade de Deus e a guiar nossos passos segundo ela, pois somente o Espírito de Deus pode discernir as coisas que são de Deus (I Co.2:11-13). A salvação dá-nos novos valores, um novo modo de vida, de modo que não mais passamos a compartilhar dos valores e dos desejos existentes no mundo, no pecado e no mal. Somente quem é salvo desfruta deste privilégio. O mundo não pode receber nem pode conhecer o Espírito Santo, porque o Espírito, como Seu nome o diz, é Santo, ou seja, está totalmente separado do pecado.

- O Espírito Santo não deixa o crente solitário e à deriva no mar da vida, mas, após convencê-lo da morte, do pecado e do juízo, vem habitar no interior do crente, vem ser seu companheiro até o final. O Espírito Santo é chamado por Jesus de Consolador, ou seja, de Paráclito, palavra que significa aquele que está ao lado, aquele que defende e que se coloca no lugar da pessoa, um verdadeiro advogado. Este é o papel do Espírito Santo, que pronto está para nos ajudar e nos orientar em todos os momentos, de forma a que possamos andar segundo a vontade de Deus.

- Vemos, pois, que uma das notas marcantes que o Espírito Santo imprime no ser humano é a santidade, ou seja, a separação do homem do pecado e do mal. Isto parece ser óbvio e intuitivo, mas é negligenciado por nós muitas vezes. O homem é tornado templo do Espírito Santo (I Co.6:19) e, como tal, passa a ter um corpo que tem como finalidade e propósito única e exclusivamente a glorificação do nome do Senhor e a realização de obras que sejam boas e agradáveis a Deus. Há muitas pessoas que procuram ver a presença do Espírito Santo na vida de alguém baseando-se em atos de poder, sinais ou maravilhas que esta pessoa esteja realizando em nome do Senhor, mas não é este o critério estabelecido pelas Escrituras para sabermos se alguém tem, ou não, o Espírito Santo. Uma pessoa será possuidora do Espírito de Deus se for santa, se ouvir e praticar a Palavra de Deus, se der o fruto do Espírito(Gl.5:22), pois haverá muitos que executarão muitos sinais e maravilhas, mas que, por praticarem a iniquidade, serão dados como desconhecidos de Deus, ou seja, pessoas pertencentes ao mundo, que não pode conhecer nem receber o Espírito Santo do Senhor (Mt.7:15-23; II Tm.2:19).
OBS: " …A diferença entre o homem regenerado e o homem não regenerado transparece como uma antítese que assinale a vida inteira deles. No homem regenerado, há a consciência que busca sujeitar tudo ao senhorio de Cristo, paralelamente à consciência de que há um antigo princípio que procura tornar-se independente de Deus. A solução é entregar nas mãos do Senhor a direção inteira da vida…" (CHAMPLIN, R.N. Regeneração. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.614)

- Esta companhia, esta habitação do Espírito Santo na vida do crente produz no salvo uma série de benefícios, que lhe permitem um contínuo crescimento espiritual. Em primeiro lugar, o Espírito Santo, vindo habitar no crente, faz com que o cristão inicie um contínuo processo de santificação, que nada mais é que a progressiva e contínua separação do pecado. A cada dia, o Espírito Santo faz-nos viver segundo a vontade de Deus, não mais segundo a nossa própria vontade. Como afirmou o apóstolo Paulo, nós passamos a andar segundo o espírito, ou seja, o centro de nossa vida passa a ser o espírito humano, que é, precisamente, o canal entre nós e o Espírito Santo. O velho homem, o homem pecaminoso, é mortificado a cada instante, ou seja, é mantido preso e crucificado (Gl.2:20), sem ação na nossa vida. Não andamos mais segundo a carne, ou seja, segundo estes desejos de nossa natureza pecaminosa, evitando praticar a iniquidade e o mal. Isto só é possível porque passamos a nos inclinar para as coisas do espírito, a fim de agradar a Deus (Rm.8:5-13).

- Em segundo lugar, o Espírito Santo, habitando em nós, faz com que desejemos, cada vez, que o nome de Jesus cresça em nós e que nós diminuamos na Sua presença(Jo.3:30). O Espírito Santo tem como finalidade a glorificação do nome de Jesus (Jo.16:14) e, se nós permitimos que Ele habite em nós, consequentemente, também estamos moldando a nossa vida a fim de que, também, através de nós, os homens glorifiquem a Jesus (Mt.5:16). Não seremos, portanto, egoístas, nem ególatras, mas, muito pelo contrário, tudo faremos para que, em nossas vidas, o nome de Jesus seja glorificado pelos homens, ainda que isto signifique o padecimento de nós mesmos(II Co.4:5-11).

- Em terceiro lugar, a habitação do Espírito Santo traz-nos a garantia e a certeza da nossa salvação. A Bíblia diz-nos que o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Sendo assim, temos, em nós, a garantia de que somos salvos, a certeza da nossa própria salvação. É o próprio Deus, na Pessoa do Espírito, que dá testemunho de nossa comunhão com Ele. Há muitos crentes que são duvidosos a respeito da sua salvação, que se deixam embaraçar por quaisquer afirmações daqueles que os cercam, no sentido de que não podem ter garantia de que têm a vida eterna, notadamente de pessoa religiosas que acham que a salvação depende de obras e coisas similares. Entretanto, a Bíblia afirma-nos, claramente, que é o Espírito Santo quem nos dá esta certeza e a Sua habitação em nós permite que tenhamos esta garantia. É, por isso, que a Bíblia nos afirma que o Espírito é o selo da nossa redenção. Como todos sabemos, o selo é um símbolo, é um sinal que representa a garantia de um documento, que confirma a sua autenticidade, que confirma a autoridade de alguém (Gn.38:18;.Jr.22:24). O Espírito Santo é, portanto, a garantia que temos de que somos salvos. Quando o Espírito está conosco, dirigindo-nos, dando-nos orientação, testificando de nossa condição de filhos de Deus, temos a certeza de que estamos nas mãos do Senhor e de que ninguém de lá pode nos arrebatar (Jo.10:28).

- É importante observar, aqui, que este selo da redenção está presente na vida de todo e qualquer salvo, mesmo os que não são batizados com o Espírito Santo. Há um costume antigo, entre os pentecostais, de chamar o batismo com o Espírito Santo de "selo" e os batizados com o Espírito Santo de "selados", mas não confundamos esta nomenclatura que surgiu no meio do povo pentecostal com o texto bíblico de Ef.4:30, que se refere a todos os salvos, pois o Espírito Santo é a garantia da redenção, ou seja, da salvação, para todos quantos creram em Jesus como Senhor e Salvador, ainda que não tenham sido revestidos de poder.

- Em quarto lugar, a habitação do Espírito Santo no crente promove o envolvimento do crente na obra do Senhor. Como passamos a fazer a vontade de Deus, como passamos a glorificar o nome do Senhor, como temos certeza da salvação, a Bíblia afirma que rios de água viva passam a correr do nosso interior (Jo.7:38), ou seja, não há como o crente se conter diante de tão grande salvação e começa a ser impelido para pregar o Evangelho e fazer a obra de Deus sobre a terra. Paulo tinha esta consciência e exclamava: ai de mim se não anunciar o evangelho! (I Co.9:16). Alguém poderá dizer que esta era a chamada de Paulo (At.9:15) e que não se pode generalizar, mas, se o disser, estará equivocado, pois a ordem de pregação do Evangelho foi dada para toda a igreja (Mc.16:15). Cada um tem um trabalho na seara do Mestre e o Espírito Santo, habitando em nós, fará com que executemos este trabalho na forma por Ele pretendida, a fim de que almas sejam salvas e os crentes, aperfeiçoados(Rm.6:13,19,22).

- Em quinto lugar, a habitação do Espírito Santo no crente promove um despertamento para a oração e a meditação da Palavra de Deus. O Espírito Santo tem como missão fazer-nos lembrar da Palavra de Deus e ensinar-nos esta mesma Palavra (Jo.14:26), ao mesmo tempo em que é um ajudador sempre presente nas nossas orações, gemendo com gemidos inexprimíveis diante do Pai por nós (Rm.8:26). Para tanto, a presença do Espírito Santo leva-nos, naturalmente, a uma vida de oração de e estudo e meditação na Palavra de Deus. Percebamos que, já revestidos de poder, os apóstolos passaram a se dedicar ao ministério da oração e da palavra (At.6:4). O Espírito Santo faz-nos, assim, enveredar por este caminho glorioso da devoção diária e incessante, preparando-nos para sermos instrumentos de justiça.
OBS: Notamos que, após terem recebido o Espírito Santo mediante o sopro de Jesus, que é a regeneração, como se lê em Jo.20:22, os discípulos que, anteriormente, não conseguiam orar durante uma hora (Mt.26:40), oraram durante dez dias até serem revestidos de poder (At.1:14). Quem nos impulsiona a orar, portanto, é o Espírito Santo.

- Em sexto lugar, a habitação do Espírito Santo no crente promove maior sensibilidade espiritual, pois, como vimos, é através do Espírito Santo que passamos a discernir as coisas espirituais. A presença do Espírito Santo faz-nos entender as coisas espirituais, entender e compreender a vontade de Deus e, portanto, a termos uma vida de intimidade e de comunhão com o Senhor, intimidade esta que é contínua e progressiva.(II Co.3:18). O Espírito Santo faz-nos ficar cada mais conformes à glória de Deus e cada vez mais distantes do pecado e do mundo, residindo nesta transformação, segundo alguns, a própria essência da obra do Espírito Santo na vida do ser humano: o retorno da plenitude da imagem e semelhança de Deus no homem.

- Em sétimo lugar, quem tem a lâmpada acesa deseja a volta de Jesus. As virgens prudentes, que tinham suas lâmpadas acesas, ao ouvirem o clamor que anunciava o noivo, rapidamente se levantaram e, alegremente, foram para a companhia do noivo. Ter a lâmpada acesa é amar a vinda de Jesus, é querer que Jesus volte, é não desviar suas atenções para outros propósitos que não os de viver eternamente com o Senhor.
OBS: "…Lamentamos que os cuidados da vida terrena têm ocupado tanto a mente e o tempo dos cristãos. Infelizmente, muitos deixarão de ser arrebatados por estarem despercebidos. Distraídos com tantas festas de 'louvores', jovens, crianças, círculos de oração, aniversários etc. Além disso, outros se ocupam tanto com as construções de templos, assistências sociais, viagens por todos os lados, que pouco tempo sobra para santificar-se e amar a vinda de Jesus. Não bastassem essas ocupações com assuntos religiosos, estamos apreciando muitos ocupados em negociar nas igrejas com cantinas, vendas de objetos religiosos, formando lotações para passeios, envolvendo o povo de Deus em política, enfim, só a misericórdia do Senhor para dar fim a essas coisas que estão embalando os crentes, procurando distraí-los e fazê-los adormecidos. É tempo de nós despertarmos do sono. Rm.13.11. Acorda, irmão ! JESUS VEM BREVE.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.88-9).

- Esta é a “unção do Santo”, ou seja, a presença, a habitação do Espírito Santo na vida de todo salvo, unção esta que nos ensina tudo o que diz respeito à verdade e na qual devemos permanecer para que alcancemos o fim da nossa fé, que é a salvação das nossas almas (I Jo.2:27; I Pe.1:9). Temos esta unção? Somos verdadeiros “cristãos”, ou seja, “parecidos com Cristo”, que era “ungido com o Espírito Santo e com virtude”?

III – A MENTIRA DA “NOVA UNÇÃO”

- Diante de tudo o que já falamos a respeito do que é a “unção do Santo”, que deve estar presente na vida de todo salvo e cuja permanência nos impede de sermos enganados e de perdermos a salvação, indagamos: a unção do Santo é insuficiente? Por acaso, se temos a unção do Santo, ou seja, A unção divina, será que precisamos de outra? As coisas que provêm de Deus não são eternas? Não falou o apóstolo João DA unção (note-se o artigo definido)? Por que, então, buscar outra unção? Haveria necessidade disto?
OBS: Como bem afirmou o professor de EBD, Gutierres Fernandes Siqueira, “…A unção é permanente. Essa verdade contradiz com o conceito de ‘nova unção’ . O Espírito Santo está habitando no crente e mediante isso, o filho de Deus, não necessita de uma "nova unção". O pastor Antonio Gilberto lembra que "Deus restaura, sim, a nossa unção recebida Dele, mas isso não significa 'uma nova unção'"(Ensinador Cristão, n. 29, p.20).É necessário muito cuidado com esse clichês gospel, tais como "unção da conquista", "unção de ousadia", "unção do profeta Elias", "unção dos quatro seres" etc. Por traz dessas expressões estão um falso conceito de unção, além da distorções doutrinárias. Unção, para muitos, é um poder mágico que capacita a pessoa a ser um minideus, é uma sede por espiritualidade desassociada de Deus.…” (end. cit.).

- Se a unção do Santo é divina e, portanto, eterna, não envelhece. Se ela não envelhece, não há necessidade alguma de termos uma “nova unção”. Se a unção do Santo nos ensina todas as coisas, nada há que devamos aprender fora dela. Ora, se nada temos que aprender fora da unção do Santo, não se vê qualquer necessidade de uma “nova unção”.

- A unção do Santo é verdadeira (I Jo.2:27) e, portanto, é ela que nos guia à verdade. Ora, se a verdade é única, indagamos: uma “outra unção”, por não ser verdadeira, é mentirosa. Por que, nos que somos guiados pela verdade, precisaríamos de “outras unções” e, portanto, mentirosas? Para que deixaria uma unção que é verdadeira, por outra que é mentira, como nos ensina o apóstolo João? Pelo contrário, o “apóstolo do amor” é bem claro ao dizer que devemos permanecer na unção verdadeira, lembrando que nenhuma verdade vem da mentira (I Jo.2:27 e I Jo.2:21).

- Aliás, ainda verificando que a unção é verdadeira e que nenhuma mentira vem da verdade, não podemos deixar de observar que a unção do Santo veio sobre Jesus e o próprio Jesus disse que nada tinha com o príncipe deste século (Jo.14:30), príncipe que é o pai da mentira (Jo.8:44). Por que, então, teríamos de buscar a “nova unção”?

- Assim, mesmo sem dizermos o que é a “nova unção”, de pronto, vemos, claramente, que o ensino bíblico é de que não devemos buscá-la, que nada temos com ela, visto que a nossa unção é a unção do Santo. Ela é suficiente, como ensinou brilhantemente, em artigo a este respeito o pastor Ciro Sqnches Zibordi (A unção do Santo não é suficiente? Disponível em: http://cirozibordi.blogspot.com/2009/04/uncao-do-santo-nao-e-suficiente.html Acesso em 29 jul, 2009).

- Mas o que é esta “nova unção” de que tantos falam? Não há uma definição precisa. Muitos dizem que é “algo novo que Deus põe à disposição da Igreja”, outros que é o “óleo fresco”. Na verdade, sob o nome de “nova unção” tem sido juntadas todas as “experiências extraordinárias”, todas as inovações, as novidades que têm aparecido nos últimos anos no meio dito evangélico, como resposta a uma busca de despertamento e avivamento espirituais. Tais manifestações estranhas, bizarras mesmo, têm sido rotuladas como “nova unção”, “…não é questão apenas de modismo, mas são cultos estranhos que vêm sendo realizados, pregando quebra de maldição, o poder do assopro, as danças espirituais, falsas doutrinas e unção de todo o tipo.…”, com bem diz o pastor Elder Sacal Cunha (Desmascarando a nova unção. Disponível em: http://eldersacalcunha.blogspot.com/2009/05/desmascarando-nova-uncao.html Acesso em 29 jul. 2009).

- Só pelo fato de não termos uma definição precisa, verificamos que a “nova unção” não deve ser crida. Como podemos crer em algo que nem sabemos o que é? Como podemos ter como verdadeiro algo que se esconde, que procura não se revelar? A verdade se manifesta, é revelada, como vemos nas Escrituras Sagradas. Como, então, crer nesta “nova unção”?

- De qualquer maneira, há algumas manifestações sobrenaturais que são chamadas como sendo “nova unção”. Ao verificarmos tais manifestações, mesmo não sabendo bem do que se trata, podemos observar que não são coisas provenientes da parte de Deus.

- Por primeiro, todas estas manifestações, invariavelmente, são fruto da “revelação” ou “visão” de alguém que se entende superior aos demais crentes, tanto que é ele (ou ela) quem “transfere esta nova unção” aos demais crentes, quem os “ensina a mergulhar no oceano do Espírito”. Ora, como diz Elder Sacal Cunha, “…Se alguém teve uma experiência com o Espírito Santo e a experiência a deixou orgulhosa, insubmissa, rebelde, achando que é melhor que os outros; posso garantir que é falsa e que não veio do Espírito da verdade! A verdadeira experiência com o Espírito Santo nos deixa mais humildes, serviçais e nos faz calar.…” (end. cit.).

- A ideia da “nova unção” tem sua origem em pessoas como Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Benny Hinn e Rodney Browne que, em seus escritos, invariavelmente, associam estas manifestações sobrenaturais a “visões”, “sonhos” e “experiências” que teriam tido com o Senhor Jesus ou com outros seres celestiais, baseando, pois, tais manifestações em elementos extrabíblicos, o que os torna indignas de crédito por parte dos genuínos e verdadeiros servos do Senhor. A experiência que Benny Him associa à “nova unção”, aliás, segundo suas próprias palavras, ocorreu antes da sua própria conversão, o que não pode ser admitido.
OBS: “…No Larry King Show [programa de entrevistas da televisão norte-americana, observação nossa], Benny Hinn descreveu a unção assim: ‘ Agora nós estamos aqui, seres humanos, você sabe, feitos de pó e Deus nos toca o corpo com Seu poder. É exatamente como tocar eletricidade, você sabe. Ela poderia lançar você longe. Ela poderia matar você se houvesse dela em demasia’. Hinn também admitiu que ‘Eu cresci em escolas católicas, eu era religioso, mas não realmente um cristão como agora eu sou. Então, enquanto eu dormia, o corpo foi eletrizado, você sabe, como se alguém me ligasse em uma tomada e eu gelei. Eu simplesmente não podria, não pude me mover. E então apareceu o Senhor. Ele sorriu para mim, não me disse uma palavra. Ele estava usando uma veste branca.…” (Let Us Reason Ministries. A nova unção. Disponível em: http://www.letusreason.org/Pent40.htm Acesso em 29 jul. 2009) (tradução nossa de texto em inglês). Como se vê é o próprio Benny Hinn quem afirma ter recebido a unção sem a conversão. Que unção é essa? Não é a “unção do Santo”!

- A verdadeira unção, a “unção do Santo”, não permite que haja distinção dos crentes em grupos diversos. Como ensina Gutierres Fernandes Siqueira, “…João em sua epístola universal, direcionando sua mensagem para a comunidade cristã, coloca que todos os regenerados são ungidos. Esse versículo quebra uma idéia muito comum de classes especiais, pois muitas vezes o pastor ou pregador são considerados pessoas acima dos demais por causa da "unção". Ora, todos os regenerados são ungidos, portanto, essa não é uma prerrogativa de um pregador ou pastor.…” (Nova Unção? Disponível em: http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/02/nova-uno.html Acesso em 29 jul. 2009).

- Ora, todas as manifestações que se rotulam de “nova unção” sempre são originárias de “crentes especiais”, “supercrentes”, que tiveram acesso a novas verdades que eram desconhecidas de todos os demais. Ora, como isto contraria a universalidade da “unção do Santo”, que é a unção verdadeira, isto é bastante para que não acreditemos em tais manifestações. Não vivemos mais na antiga aliança, onde o Espírito Santo era dado “por medida” (Jo.3:34) e a apenas alguns ungidos. Hoje em dia, todos os crentes têm o Espírito Santo e, por isso, todos são ungidos, todos são “reis, sacerdotes e profetas” (I Pe.2:9,10; Ap.1:5,6).

- Por segundo, notamos que todas estas manifestações não produzem qualquer edificação espiritual. O Espírito Santo nos guia em toda a verdade, faz-nos glorificar a Jesus e, para tanto, é preciso que nos tornemos mais e mais semelhantes a Ele (II Co.3:128; Ef.4:13-16). No entanto, o que se vê com as manifestações rotuladas de “nova unção”? Vê-se apenas a produção de fenômenos estranhos e bizarros, mas que não fazem as pessoas se assemelharem a Cristo. Muito pelo contrário, o que surge, no mais das vezes, é o início de práticas contrárias ao ensino bíblico, que é a verdade (Jo.17:17). Em vez de as pessoas envolvidas nestas manifestações seguirem a verdade em caridade, crescendo em Cristo, passam a ser levados em roda por todo vento de doutrina, correndo de um lado para outro em busca de sinais, comportamento que é próprio dos incrédulos, como os judeus dos dias de Cristo (Mt.12:39; 167:4; Lc.11:29; I Co.1:22).

- Vejamos, pois, algumas manifestações chamadas de “nova unção” e observemos a falta completa de edificação espiritual dos nela envolvidos:
a) “unção do riso” ou “risada santa” – muitos ficam sorrindo, dando gargalhadas sem parar, perdendo até o fôlego. Pergunta-se: depois do “acesso de riso”, qual a edificação espiritual que isto promove na pessoa? Quantas almas são salvas por causa desta “risada santa”? Quantos são curados? Esta “risada santa”, por acaso, promove a “alegria no Espírito Santo”, que, por exemplo, Jesus demonstrou ao ver o relatório dos discípulos quando estes pregaram por aldeias e vilas da Judeia (Lc.10:21)? Por acaso, esta “risada santa” fez a pessoa conhecer mais a Jesus, a se envolver mais com Ele, a ter uma vida mais santificada? Recebeu ela certeza de que é salva e caminha para o céu? (Lc.10:20,22)? Antes de dar gargalhadas, o que devemos é, isto sim, termos a “tristeza segundo Deus”, que operará o nosso arrependimento e consequente salvação (II Co.7:10).
b) “unção dos quatro seres viventes”, “unção do leão” , “unção do lobo” e demais “unções animais” – Pusemos todas estas “unções” no mesmo tópico, pois todas têm algo em comum, qual seja, o de fazer com que as pessoas passem a “falar as línguas dos animais”, ou seja, passem a rugir, rosnar, mugir, bater os braços como se fossem asas para voar etc. Pergunta-se: podem manifestações como estas, que “irracionalizam” os homens serem consideradas adoração a Deus, se as Escrituras nos mandam ter um “culto racional” e que este culto seria agradável a Deus (Rm.12:1). Seria próprio do projeto salvador de Deus fazer com que o homem, feito para dominar as demais criaturas terrenas (Gn.1:26), fosse “rebaixado” na ordem de criação e agisse como os demais animais? Se, no culto a Deus, devemos nos preocupar em não permitir que a fala em línguas estranhas, algo que não é irracional, mas suprarracional, para que isto não promova o escândalo dos incrédulos e não seja considerado inútil (I Co.14:1-20), não deveríamos também levar em conta atitudes irracionalizantes, que bestificam o ser humano, coroa da criação? Ademais, quem disse que os “quatro seres viventes” mencionados no livro do Apocalipse são “animais terrenos irracionais”? Pelo que vemos na Bíblia, eles falam e adoram a Deus, não rosnam, nem mugem…
c) “unção da lagartixa” – apesar de se tratar de um animal, também, dela tratamos em tópico separado, porque se trata de pessoas ficarem penduradas na parede. Pergunta-se: o que isto contribui para a edificação espiritual de alguém? Devemos ficar pendurados como lagartixa na parede das igrejas ou pregar o Evangelho por todo o mundo e ser testemunhas de Jesus até os confins da terra (Mc.16:15; At.1:8)? Se Deus permitiu que a igreja de Jerusalém fosse perseguida para que saísse de Jerusalém, a fim de evangelizar o mundo, por que haveria de incentivar e estimular práticas que nos fazem ficar grudados nas paredes dos templos? Tais manifestações sobrenaturais, a propósito, são muito estranhas e que podem muito bem ter origem maligna. Tomemos cuidado!
d) “unção da loucura de Deus”, “unção da ousadia, da conquista e da multiplicação” – muitos procuram justificar certas manifestações estranhas, sem sentido (como o “vômito santo”, a “unção de recém-nascido ou de nenê” e tantas outras “neobesteiras”), com a afirmação de que se trata da “loucura de Deus”. Todavia, como bem explica o pastor Ciro Sanches Zibordi, a Bíblia nunca disse que “Deus é louco”, mas, sim, que a ação divina é considerada “loucura” para os homens, visto que, como afirma o coordenador do Portal Escola Dominical, Sérgio Paulo Gomes de Abreu, a “lógica divina nunca será igual à lógica humana”, como, aliás, lemos em Is.55:8,9. O que os defensores da “nova unção” chamam de “ousadia”, “conquista”, “multiplicação” nada mais são que atitudes insensatas, baseadas no irracionalismo, o que contraria totalmente o que Deus quer de nós, que é o culto racional, o sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm.12:1). É este culto racional que nos leva a experimentar a vontade de Deus (Rm.12:2), não os desatinos, as algazarras e as maluquices que se fazem e que são, na feliz expressão de Carlos Eduardo Sisso, “…’adoradores extravagantes’, não é?! Será que não vemos? ‘Extravagante’ significa ‘esbanjador; perdulário’. O que isto tem a ver com Cristo, meu Deus?…” (SISSO, Carlos Eduardo. Eu não estou apaixonado por Jesus. Disponível em: http://ecosdoverbo.blogspot.com/2009/02/aos-adoradores-apaixonados-e-aos-outros.html Acesso em 29 jul. 2009).
e) “cair no Espírito”, “cair no poder” ou “fanerose” – outra das chamadas manifestações da “nova unção”. Procura-se basear a manifestação em episódios em que pessoas se prostraram pela manifestação da glória de Deus, mas sem qualquer fundamento bíblico real. Se temos o Espírito Santo, o Pai e o Filho em nós, por que haveríamos de cair? Ademais, o que se ganha em perder os sentidos e em se levantar meio “abobalhado”, como muitos que dizem ter “caído pelo poder de Deus”? No que tais pessoas têm sido edificadas e transformadas pelo Espírito Santo? Pelo contrário, o pastor Paul Gowdy, um dos líderes da igreja de Toronto (Canadá), de onde este fenômeno se espalhou com intensidade pelo mundo, foi categórico em dizer que “…Depois de três anos fazendo parte do núcleo da bênção de Toronto nossa Igreja Vineyard em Scarborough ao leste de Toronto, praticamente se autodestruiu. Devoramo-nos uns aos outros com fofocas, falando mal pelas costas, com divisões, partidarismo, criticas ferrenhas uns dos outros etc. Depois de três anos ‘inundados’ orando por pessoas, sacudindo-nos, rolando no chão, rindo, rugindo, rosnando, latindo, ministrando na igreja Internacional do Aeroporto de Toronto, fazendo parte de sua equipe de oração, liderando o louvor e a adoração naquele local, praticamente vivendo ali, tornamo-nos os mais carnais, imaturos, e os crentes mais enganados que conheci. Lembro-me de haver dito ao meu amigo e pastor principal da igreja de Vineyard de Scaraborough em 1997 de que, desde que a bênção de Toronto chegou, ficamos esfacelados. Ele concordou. Minha experiência é de que as manifestações dos dons espirituais de 1 Coríntios 12 eram mais comuns em nossas reuniões antes de Janeiro de 1994 (quando começou a bênção de Toronto) do que durante o período da suposta visitação do Espírito Santo.…” (GOWDY, Paul. Trad. de João A. Souza Filho. O engano de Toronto. Disponível em: http://www.pastorjoao.com.br/analise_igreja/lakeland/oenganodetoronto.htm Acesso em 29 jul. 2009). Precisamos dizer mais algo?

- Por terceiro, não podemos nos esquecer que “a nova unção” não produz frutos de justiça, como já salientado. Ora, se as manifestações sobrenaturais não produzem o fruto do Espírito, vê-se, claramente, que não são da parte de Deus. Disse o Senhor que pelos frutos conheceríamos os falsos profetas (Mt.7:15-20) e, portanto, tudo quanto está relacionado à “nova unção” dz respeito a engano e ilusão, à mentira, não podendo ser algo que seja ratificado por quem serve a Deus. Como diz Carlos Eduardo Sisso, nestas manifestações, “…Há todo um clima, um ambiente místico criado ao redor deste “mover”: músicas longas e de frases curtas que, repetidas à tão grande exaustão, lembram mais alguns mantras hindus; danças (ou meros gestos?) semelhantes a um estado de transe hipnótico e afeições estático-abobalhadas um tanto quanto esquisitas demais, como se a pessoa estivesse sob o efeito de alguma droga anfetamínica. No fim, tal experiência pareceu mais fruto de uma abdução que de um ‘encontro com Deus’. Aliás, não lhes soa estranho que “encontros com Deus” não eram tão frequentes assim na vida dos santos do passado? E, se haviam, os sintomas eram muito outros! Quando Deus falou do meio da sarça que ardia, Moisés ‘... escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus’ (Êxodo 3:6). Mais tarde, curiosamente depois de outras aparições apoteóticas, Deus responde a um pedido de Moisés para ver a Sua glória dizendo: ‘Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá minha face e viverá’ (Êxodo 33:20). Moisés só viu o que pôde ver, e sequer ao menos sabia que seu rosto resplandecia depois disso (Êxodo 34:29). Isaías ‘viu’ a Deus e, porque creu, temeu pela própria vida. Zacarias “viu” a Deus e, porque não creu, ficou três meses mudo. Mas nem nestes casos nem noutros, vemos qualquer coisa parecida com o que temos visto em nossos dias. Será que somos uma geração mais privilegiada que as gerações bíblicas? Vejam também os grandes pais de nossa fé: Agostinho, Lutero, Wesley, Finney, Moody... Homens introspectivos, castos, reverentes, morigerados. Por que não lhes copiamos?…” (SISSO, Carlos Eduardo. end.cit.).

- Por quarto, a “nova unção” tem como consequência criar um “Cristo espiritualizado”, um “Cristo desencarnado”, cuja “unção” se manifesta de várias maneiras menos as do Jesus da Bíblia e “se embriagam tanto da unção” que não mais estão a esperar o retorno de Jesus Cristo. Em vez de esperarem a Ele, estão buscando “a ela”, à “unção”, ao “enebriamento” que os faça sentir mais poderosos do que qualquer outra pessoa, quando não é esta a esperança do genuíno discípulo de Jesus. Como afirma o pastor norte-americano Bill Randles, das Assembleias de Deus, “…O verdadeiro Espírito de Jesus Cristo está na Igreja, orando com e pela Igreja, ‘Vem, Senhor Jesus!’ pois o Espírito e a Noiva dizem ‘Vem’. O falso espírito, pelo contrário, é invocado pelo comando dos ‘novos ungidos’, ‘Vem! Vem, Espírito Santo1 Mais! Mais! E, como no testemunho do pastor Benson, o espírito foi invocado por uma simples pancada no estômago e por um grito em uníssono, ‘a unção’ !…( RANDLES, Bill. As implicações da nova unção. Disponível em: http://www.mission.org/jesuspeople/newanointing.htm Acesso em 29 jul. 2009) (tradução nossa de texto em inglês).

- Este Cristo espiritualizado, totalmente desvinculado da obra de transformação do homem e da esperança da vinda de Cristo é o Cristo do Anticristo. É a negação do Pai e do Filho, como nos ensina o apóstolo João na sua primeira carta (I Jo.2:22-25; 4:1-6). Descobrimos, assim, claramente, pela primeira carta de João, qual a origem e qual o propósito desta “nova unção”, mais um dos enganos dos últimos dias contra os quais devemos lutar. A “nova unção” está inserida plenamente na advertência do Senhor Jesus em Seu sermão escatológico, quando disse que haveria sinais e prodígios que, se possível, enganariam até os escolhidos (Mt.24:24). Tomemos, pois, cuidado, e busquemos a unção do Santo, a única que nos impedirá de sermos enganados.

Caramuru Afonso Francisco

terça-feira, 2 de junho de 2009

A ORDEM NO CULTO AO SENHOR



O culto ao Senhor, embora não seja formalista, não é uma desordem ou confusão.

“Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos, “ (I Co.14:33).


INTRODUÇÃO

- Ainda a título de estudo complementar para o presente trimestre letivo, estudaremos o ensino do apóstolo Paulo no capítulo 14 da primeira carta aos coríntios, a respeito da ordem que se deve ter no culto ao Senhor. A igreja em Corinto refletia sua carnalidade e menosprezo à palavra da cruz na forma irreverente de suas reuniões de adoração, que não devem ser confundidas com a plena liberdade do Espírito Santo.
OBS: Em sua mais recente obra, o ex-Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, com a autoridade de sociólogo internacionalmente reconhecido, não deixa de se juntar aos que reconhecem este fato: “…Atualmente, existe uma dimensão de solidariedade virtual no comportamento e mesmo uma busca de formas de sociabilidade que animem um sentimento de coesão social (basta constatar a expansão das religiões pentecostais, ou os movimentos ambientalistas)(…). As religiões reformadas, sobretudo as pentecostais, guardam, é certo, importante papel socializador, principalmente junto às camadas mais pobres e menos integradas à sociedade. Dão a seus crentes acesso a setores sociais, localizados muitas vezes em estratos mais altos da hierarquia social. Funcionam segmentadamente como fator de coesão e de integração social, mas também sem perspectiva nacional.…(A arte da política: a história que vivi, pp.511 e 679).

- Entretanto, embora a presença atuante do Espírito Santo traga um fervor e um vigor espirituais similares ao da igreja primitiva, precisamos estar bem conscientes de que Deus não é Deus de confusão ou de desordem e que, portanto, todo culto, por mais poderoso e fervoroso que seja, sempre será uma demonstração de ordem e decência.

I – O CRENTE TEM O DEVER DE ADORAR A DEUS

- O homem, como ser racional e moral criado por Deus, deve adorá-lO, porquanto é preciso reconhecer que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive do próprio ser humano. Como Deus fez o homem com esta capacidade de discernimento, é um imperativo que venha a adorar ao Senhor. Por isso, Jesus disse, quando de Sua tentação, que se deve adorar somente ao Senhor e a Ele servir (Mt.4:10).

- A adoração, embora envolva o culto formal a Deus numa igreja, não se confunde com esta prática, pois é algo que deve estar presente em todas as ações do ser humano, tanto que Jesus nos ensinou que os verdadeiros adoradores adoram a Deus em espírito e em verdade(Jo.4:23), ou seja, em todo o tempo, independentemente de local ou ocasião.

- A primeira vez que a palavra "adorar" aparece na Bíblia é em Gn.22:5, quando Abraão avisa seus servos que iria ao monte Moriá, juntamente com Isaque, para adorar e, depois, voltaria, com o seu filho, até o pé do monte, onde os servos deveriam esperar. Entretanto, não é esta a primeira vez que vemos um homem adorando a Deus nas Escrituras, ainda que a palavra não estivesse registrada antes no texto sagrado. Com efeito, o primeiro casal tinha um momento peculiar com Deus na viração do dia (Gn.3:8), um instante em que se dirigiam a Deus e a Ele prestavam contas por tudo que tinham feito durante o dia. Era um momento em que se reconhecia a soberania divina e em que o homem se dedicava a um encontro mais íntimo com o seu Senhor.

- Após a queda do homem, apesar da impossibilidade de uma comunhão com Deus, pois o pecado fez uma divisão entre Deus e o homem (Is.59:2; Ef.2:14), o primeiro casal ensinou a seus filhos que havia a necessidade de se render a Deus um tributo, um louvor, de reconhecer que Deus é o Senhor de todas as coisas e que, portanto, devemos dar a Ele satisfação e Lhe render graças. Por isso, vemos Caim e Abel apresentando ofertas a Deus, numa atitude nítida de adoração a Deus (Gn.4:3,4). Podemos observar nesta passagem algumas características da adoração, no limiar da história humana, a saber:

a) A adoração é uma prática que acompanha a própria existência do homem - Como vimos, o primeiro casal tinha um instante diário de adoração e, diante desta prática, havia ensinado seus filhos a procederem da mesma maneira. O homem, portanto, foi feito para adorar a Deus.

b) A adoração é necessária, mas espontânea - A adoração é uma atividade que era considerada necessária por parte da primeira família, tanto que Caim, mesmo não estando interiormente disposto a fazê-lo, não ousou negar-se a oferecer algo a Deus, pois tinha consciência da necessidade deste gesto. Embora necessária, a adoração é espontânea, tem de partir do homem. Não confundamos a adoração com a sujeição, que é o ato pelo qual Deus, por Sua soberania, imporá, num tempo por Ele determinado, Seu senhorio sobre todos os seres, através de Cristo Jesus(I Co.15:27,28; Ef.1:22; Hb.2:8). Isto é sujeição, não adoração.

c) A adoração consiste de atos externos - A adoração é demonstrada através de gestos concretos, visíveis por todos os demais homens. Caim trouxe uma oferta de vegetais, enquanto Abel sacrificou animais.

d) A adoração também se faz no interior do homem - Embora se manifeste por atos exteriores, a adoração começa no homem interior, é uma atitude que tem seu nascimento no espírito, que é a parte do homem que mantém o canal com Deus. Por isso, a oferta de Abel foi aceita, mas não a de Caim.

e) A adoração é acompanhada e observada por Deus - A disposição para a adoração partiu do homem, mas foi atentamente observada pelo Senhor. Quando nos dispomos a adorar a Deus, jamais nos esqueçamos de que o Senhor a tudo está observando e conhece quais são nossas intenções e os nossos atos, tanto que aceitou a oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim.

f) A adoração permite uma comunicação entre Deus e o homem - Mediante a adoração, Deus aceita, ou não, o gesto do homem, mas é através dela que Deus Se manifesta ao homem, mesmo àquele que não teve aceita a sua oferta, de modo que se estabelece o necessário relacionamento entre Deus e o homem. Através da adoração, o homem tem condições de entender que o pecado é o responsável pela ruptura da comunhão entre o ser humano e o seu Criador

g) A adoração, para que seja aceita por Deus, exige um ato de fé e uma prévia justificação dos pecados - A Bíblia afirma-nos que Abel era uma pessoa dotada de fé de de justiça (Mt.23:35; Hb.11:4), enquanto que Caim era do maligno (I Jo.3:12). Reside, então, aí a razão por que a adoração de Abel foi aceita e não a de Caim. Para que possamos adorar a Deus, devemos ter fé, pois sem ela é impossível agradar-Lhe (Hb.11:6). Tendo fé, poderemos ser justificados diante de Deus, passando a ter paz com ele (Rm.5:1) e, deste modo, livres do pecado, poderemos ser aceitáveis diante do Senhor. Como diz conhecido cântico, "em altar quebrado, não se oferece sacrifício a Deus". (cfr. I Rs.18:30).

- A palavra " adoração" vem do latim "ad orare", que significa "para ser feito com a boca", ou seja, "beijar". Esta expressão deve ser entendida na cultura da Antiguidade, ainda hoje seguida em alguns segmentos sociais (como a Igreja Romana, por exemplo), em que o beijo é um gesto de reconhecimento da autoridade de alguém. Assim, "adorar" é reconhecer a autoridade de uma pessoa e se inclinar diante dela, curvar-se a seu senhorio e a sua superioridade. Adoraremos a Deus, portanto, quando reconhecermos a Sua autoridade, a Sua supremacia, quando agirmos de forma a mostrarmos às pessoas que é Deus quem manda em nossas vidas. Quando o diabo pediu a Jesus para ser adorado (Mt.4:9), estava, precisamente, pedindo que Jesus reconhecesse uma superioridade do diabo sobre Sua vida, o que, como bem mostrou nosso Senhor, era um rotundo absurdo (Mt.4:10).

- Esta ideia contida na palavra latina, que deu origem a nossa palavra na língua portuguesa, é, precisamente, o mesmo sentido que possui os termos originais hebraico e grego nas Escrituras. Sempre há a ideia de homenagem, de reconhecimento de soberania e supremacia de Deus sobre a vida daquele que está a adorar a Deus. É este, aliás, o sentido que vemos no Sl.2:12, quando o salmista fala "beijai o Filho".

- Em seguida, vemos que uma das características que temos da descendência piedosa de Sete, estava, precisamente, no fato de que era esta linha de descendentes que adorava a Deus. A Bíblia informa-nos que, após o nascimento de Enos, o filho primogênito de Sete, passou-se a invocar o nome do Senhor (Gn.4:26), ou seja, Deus passou a ser buscado, a ser procurado, a ser reverenciado. O fato de esta linha de descendentes adorar a Deus, buscar reconhecer a sua autoridade, era o grande diferencial entre eles e os descendentes de Caim, a ponto de a Bíblia a eles se referir como sendo os "filhos de Deus" (Gn.6:2). Deus sempre irá manter um relacionamento de pai para filho com aqueles que O adorarem!


II – MOTIVOS PARA O CRENTE ADORAR A DEUS

- Como temos visto, a adoração a Deus é algo que faz parte da própria natureza do ser humano, é uma característica que acompanha o homem desde a sua feitura. O homem deve adorar a Deus, porque Deus o fez e Ele tudo deve a este Deus. A adoração estabelece os parâmetros corretos do relacionamento entre Deus e o homem, exatamente porque é através da adoração que Deus é reconhecido como Senhor e o homem, como Seu servo.

- O primeiro motivo, portanto, para adorarmos a Deus está no fato de que Deus, o Senhor de todas as coisas, é o Criador de tudo, inclusive do próprio homem. Quando adoramos a Deus, reconhecemos que Ele é o nosso Criador e manifestamos tal reconhecimento através da adoração. Todo homem é apresentado a Deus como sendo Sua criatura (Rm.1:20,21) e, através desta apresentação, deve o ser humano adorar a seu Criador. Quando não o faz, desprezando a Deus, a Bíblia ensina-nos que são tais pessoas abandonadas pelo Senhor à sua própria sorte, gerando um sem-número de males e problemas para a humanidade rebelde, que se recusa a adorar o seu Criador (Rm.1:24-32).

- O segundo motivo pelo qual devemos adorar a Deus é o fato de que Ele nos ama, de, apesar de ser o Criador, jamais desampara o homem, mas, muito pelo contrário, o ama e tem prazer em estar na companhia do ser humano. Por amar o homem, Deus enviou Seu Filho para morrer por nós, quando ainda éramos pecadores (Rm.5:8). Jesus é a prova suprema deste amor, pois morreu por nós na cruz do Calvário (Jo.15:13). Deus nos amou primeiro (I Jo.4:19) e, em gratidão a este tão grande amor, reconhecemos Sua supremacia e procuramos render-Lhe culto, bem como fazemos o que Ele nos manda.

- O terceiro motivo pelo qual devemos adorar a Deus é o fato de que Ele nos salvou. Deus não somente amou o homem, mas providenciou a sua salvação através da pessoa de Jesus Cristo. Em Cristo, temos novamente acesso a Deus, pois os nossos pecados são perdoados e não há mais separação entre nós e Deus (Rm.5:1; Ef.2:13,14). Assim, tendo em vista a salvação de nossas almas, temos um caminho que nos introduz à presença de Deus, o que torna possível a adoração direta e individual, o que, antes, não era possível ao homem pecador (Hb.10:19-22). Podemos adorar a Deus, sem obstáculo, tendo como único mediador a Cristo Jesus (I Tm.2:5). Graças a salvação, temos uma comunhão eterna com o Senhor, como antes do pecado dos nossos primeiros pais, comunhão esta que perdurará para sempre na nova Jerusalém (Ap.21:2-4).

- O quarto motivo pelo qual devemos adorar a Deus é o fato de que Ele precisa ser conhecido dos homens que ainda não O conhecem como Senhor e Salvador de suas vidas. A missão principal dos servos de Deus neste mundo é anunciar a toda criatura o evangelho(Mc.16:15), ou seja, a boa notícia de que o reino de Deus é chegado e que os homens devem nele entrar através do arrependimento de seus pecados (Mc.1:14,15). Deus somente será conhecido dos homens se nós O revelarmos através de nossas vidas e isto só será possível mediante a visibilidade da adoração. Pela adoração, os homens poderão ver Deus em nós (Mt.5:16; At.6:15; II Co.3:18). Como diz conhecido cântico, devemos adorar o Senhor de modo que o "mundo possa ver a glória do Senhor em nossos rostos brilhar."

- O quinto motivo pelo qual devemos adorar a Deus é o fato de que o necessário crescimento espiritual do crente depende da sua vida de adoração. A vida espiritual é uma vida dinâmica, uma vida de contínuo desenvolvimento, pois não é possível haver uma vida estacionária, parada no campo espiritual. Se não avançamos espiritualmente, estaremos, necessariamente, regredindo. Por isso, o escritor da epístola aos Hebreus diz que devemos correr com paciência a carreira que nos está proposta (Hb.12:1) e o apóstolo Paulo afirma, somente ao final de sua vida, que tinha encerrado a sua carreira (II Tm.4:7). Sendo uma vida espiritual algo dinâmico, precisamos estar em contínuo relacionamento com Deus, precisamos orar em todo o tempo, mantermos uma vigilância sem qualquer trégua ou interrupção, o que somente é possível se adorarmos a Deus a todo instante, a todo momento. São estes os adoradores que Deus está buscando (Jo.4:23).

- O sexto motivo pelo qual devemos adorar a Deus é o fato de que nós temos fé em Deus, porque confiamos nEle. Fé, como afirmou de modo muito feliz o pastor Ricardo Gondim (Assembleia de Deus Betesda) é o elo que nos une a Deus, a um Deus que nós não vemos, é uma certeza sem provas, é uma convicção sem provas, sem garantias (Aprenda a ter uma grande fé - pregação radiofônica difundida em 25.11.2003). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb.11:6) e, portanto, para que possamos adorar a Deus, render-Lhe culto e louvor, é indispensável que creiamos que Ele existe e é galardoador dos que O buscam. Nunca nos esqueçamos que Jesus, em muitas oportunidades, ao se dirigir às pessoas que O ouviam, fazia alguma observação a respeito da fé que elas possuíam.

- O sétimo motivo pelo qual devemos adorar a Deus é o fato de que nós amamos a Deus. Somente se amarmos a Deus poderemos adorá-lO. Quando amamos alguém, queremos estar sempre ao seu lado, queremos estar, constantemente, na sua companhia. Ora, se amamos a Deus, desejamos estar sempre ao Seu lado, estar sempre em Sua companhia e não há outra forma de o fazermos senão através de uma contínua adoração a Ele. A igreja anseia pela contínua companhia de seu Noivo, de seu amado: " o meu amado é meu e eu sou dele" (Ct.2:16a).

III – A ADORAÇÃO A DEUS MEDIANTE A LITURGIA

- Embora a adoração a Deus não se confunda com o culto a Deus nas reuniões coletivas da igreja local, é esta uma das formas pelas quais adoramos ao Senhor. É o que os estudiosos da Bíblia denominam de “liturgia”, palavra que veio do grego “leitourgía” (λειτουργία), que significava, primitivamente, “…em Atenas, 'contribuições (de origem sobretudo ritual) que o Estado exigia dos cidadãos para alívio de determinadas obrigações do poder público, entre as quais: 1) a trierarquia ou equipagem de uma trirreme; 2) a coregia ou obrigação de equipar e organizar um coro de dança em concursos líricos e dramáticos; 3) a gimnasiarquia ou organização dos jogos públicos; 4) a hestiase ou banquete oferecido a todos os cidadãos…” (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).

- Como se pode perceber, portanto, a “liturgia” era, na Grécia Antiga, um serviço público, uma obrigação do cidadão, quase sempre de origem religiosa, um esforço que deveria fazer para contribuir para que os “deuses” se fizessem favoráveis com a cidade a que pertencia o cidadão. Era, portanto, o cumprimento de um dever para com a divindade de forma pública, em sociedade, visando a bênção divina não só para o cidadão, mas para todo o povo.

- Este mesmo tipo de atitude vemos nas prescrições da lei mosaica, onde se estabeleceram festividades e rituais em que o povo de Israel celebrava o seu Deus, notadamente nas três grandes festas (Páscoa, Pentecostes e Festa dos Tabernáculos) e no dia da expiação, quando se fazia, inclusive, um sacrifício em prol de todo o povo. Aqui, também, se demonstrava a necessidade de todo o povo, propriedade peculiar de Deus entre os povos (Ex.19:5,6), praticar atos públicos de reconhecimento da soberania de Deus.

- Assim, a “liturgia” é esta adoração pública, é este reconhecimento coletivo, de toda uma comunidade, da soberania do Senhor e um instante em que todos se reúnem para dar ao Senhor a glória que somente a Ele é devida (Sl.29:2; 66:2; 96:7,8; Is.42:8;48:11). Deus tem prazer nesta adoração coletiva e sempre instou Seu povo a fazê-lO (Lv.9:6,23; Nm.14:10), até porque, em reuniões como estas, o Senhor mostra os Seus propósitos de vida, de santidade e de amor para com o Seu povo (Dt.5:24; 26:19), de modo a que o Seu povo possa anunciar às outras nações esta mesma glória (I Cr.16:28,29; Sl.96:3; Is.42:12). A presença da glória do Senhor nas reuniões do Seu povo, ademais, é uma demonstração de nossa filiação divina por adoção em Cristo Jesus (Sl.90:16; Is.61:6).

- Mas, ao lado deste aspecto de adoração, de relacionamento com Deus, de reconhecimento da soberania divina, a “liturgia” também tem um aspecto externo, um conjunto de ritos, formalidades e cerimônias que devem ser estabelecidos, já que estamos diante de uma adoração coletiva, de uma reunião de pessoas, a exigir, portanto que, na convivência e na reunião, haja uma organização, uma ordem, até porque se trata de um momento de grande reverência e respeito, pois se vai adorar ao Senhor de todo o universo. Assim, se é razoável exigir-se uma certa solenidade, uma certa formalidade quando estamos diante de ocasiões especiais na vida cotidiana, como poderemos dispensar um ambiente de respeito e de consideração quando nos reunimos para adorar a Deus?

- Além do mais, quando vemos na Palavra de Deus, observamos que o Senhor sempre exigiu reverência, respeito e consideração nas reuniões coletivas de adoração. Quando Se manifestou a Moisés, imediatamente mandou que o futuro líder libertador de Israel não Se aproximasse da sarça ardente e, ainda, descalçasse seus pés pois o lugar onde se encontrava era terra santa, em virtude da presença do Senhor (Ex.3:5), algo que, anos mais tarde, seria repetido em relação ao sucessor de Moisés, Josué (Js.5:15), passagem que prova que a adoração não se desprende da reverência e que a reverência impõe a existência de algumas formalidades. Por isso, integral razão tem o pastor Osmar José da Silva quando afirma que “…a própria liturgia envolve-se em rituais e o ritualismo religioso envolve-se em normas litúrgicas.(São como gêmeos que não se separam).…” (Liturgia: rituais, símbolos, cerimônias, doutrinas, costumes, histórias, p.15).

- No monte Sinai, também, o Senhor mandou que o povo se preparasse convenientemente para a manifestação da glória divina, inclusive mantivesse uma certa distância do monte (Ex.19:9-25), tendo, sido, aliás, esta a primeira ordem dada por Deus depois que o povo aceitou ser o Seu povo. Não foi à toa, portanto, que o sábio pregador advertiu os servos do Senhor a guardarem os seus pés quando entrassem na casa do Senhor (Ec.5:1 – ARC, ARA, TB), expressão cujo significado é ser reverente (como, aliás, consta na Nova Versão Internacional), ser vigilante nos seus passos, nas suas atitudes (como consta da Tradução Ecumênica Brasileira), ter cuidado (como consta na Nova Tradução na Linguagem de Hoje), “ver onde põe o pé” (como se vê na Versão do Pe. Antonio Pereira de Figueiredo).

- A reverência, o respeito, a consideração traduzem, aliás, o que a Bíblia chama de “temor do Senhor”, ou seja, o reconhecimento da soberania e do senhorio de Deus sobre cada ser humano, o que nos leva a respeitá-lO, ou seja, “olhá-lO com atenção”, “levá-lO em consideração”, “prestar-Lhe atenção”, “dar-Lhe ouvidos”, como nos indica a própria raiz indo-europeia da palavra “respeito” que é “spek”. O respeito leva-nos, portanto, a ter algumas regras e normas no culto a Deus, normas estas que devem ser observadas e que revelam o próprio ato de adoração que está presente em cada culto coletivo a Deus.

- No entanto, se há necessidade de haver uma determinada ordem no culto coletivo a Deus e que esta ordem se manifeste por meio de algumas regras e normas, há o grande risco de, em nome da organização, estabelecermos um formalismo, um legalismo que prevaleça sobre a própria adoração a Deus, que foi, precisamente, o mal que tomou conta do povo de Israel que passou a cultuar a Deus de modo exclusivamente externo e aparente, prendendo-se aos rituais e às cerimônias, o que levou, inclusive, o Senhor a abominar as solenidades e festividades que se passaram a realizar. Através dos profetas, Deus mostrou ao Seu povo que não tinha prazer em rituais, cerimônias e solenidades, se elas não viessem acompanhadas de um verdadeiro espírito de adoração, se elas não traduzissem um real e sincero reconhecimento da soberania divina da parte dos participantes das cerimônias religiosas (Is.1:10-19; 58:1-8; Zc.7:4-7; Ml.1:7-14). O ponto máximo do formalismo encontramos nos fariseus, a ponto que “farisaísmo” passou a ser sinônimo de um formalismo vazio e abominável ao Senhor, algo que repugna a Deus, como nos dá conta o próprio ministério terreno de Jesus Cristo (especialmente, Mt.23).

- Era este precisamente o problema que Paulo soube ocorrer em Corinto. Como já tivemos ocasião de verificar por ocasião do estudo a respeito da ceia do Senhor, os crentes coríntios eram irreverentes e não davam o devido valor à ordem em suas reuniões de adoração, algo que não podia ser tolerado pelo apóstolo que, assim, no capítulo 14 de sua primeira carta, dá orientações à igreja em Corinto para que isto não mais continuasse a ocorrer.

III – A LITURGIA DA IGREJA

- Tudo o que se disse até aqui com relação a Israel, é válido para a Igreja, que é o Israel de Deus (Gl.6:16), a nação santa que veio substituir Israel na dispensação da graça como povo anunciador da salvação de Deus aqui na Terra (Mt.16:18; Ef.2:13-22; I Pe.2:9).

- A Igreja deve, portanto, reunir-se coletivamente para adorar ao Senhor e, através desta adoração, mostrar a glória de Deus a todos os povos, para que eles, com temor e tremor, creiam em Cristo como seu único e suficiente Salvador (I Co.14:24,25).

- Por isso, se é verdade que muitos dos rituais e cerimônias da antiga aliança já não mais têm razão de ser ou sentido nos dias da Igreja, uma vez que eram figuras e sombras do Cristo, Que já veio ao mundo, morreu por nós, ressuscitou e está à destra do Pai intercedendo por nós(Hb.10:1-18), bem como temos, agora, o Espírito Santo em nós para nos guiar em toda a verdade(Jo.14:17; 16:13), nem por isso podemos deixar de observar que Deus não muda, nem nEle há sombra de variação(Ml.3:6; Tg.1:17), de sorte que continua sendo um Deus de ordem e não um Deus de confusão(I Co.14:33), a impor regras e normas para que se processe a adoração ao Seu nome.

- O apóstolo Paulo, em seu ensino aos coríntios, afirma que, quando a igreja se reúne, deve haver, na devoção coletiva, salmo, doutrina, revelação, língua e interpretação, tudo com o propósito de edificação (I Co.14:20). Vejamos, pois, cada um destes momentos que deve haver na devoção coletiva a Deus.

- O primeiro ponto que deve existir numa vida devocional coletiva é o salmo, ou seja, o louvor. Quando Paulo se refere a salmo, está se referindo ao louvor, pois o salmo era a forma pela qual os judeus louvavam ao Senhor, já que os Salmos eram o hinário oficial de Israel. Desde os tempos do Antigo Testamento, nas cerimônias e celebrações coletivas de adoração a Deus, estava presente um momento de louvor e de cântico. As Escrituras ensinam-nos, em diversas partes, que tudo quanto tem fôlego deve louvar ao Senhor (Sl.150:6). O ministério do louvor é o único ministério que perdurará após a glorificação dos salvos, pois os anjos não cessam de louvar a Deus e estaremos com o Senhor para sempre, louvando-o. Deste modo, é indispensável que a liturgia incorpore momentos de louvor na vida devocional coletiva.

- Entretanto, o louvor, como bem demonstra a Bíblia, é um sacrifício pacífico que se faz ao Senhor nesta dispensação (Hb.13:15). Sendo assim, há critérios que devem ser observados quanto ao louvor que deve ser entoado pela igreja ou na igreja por ocasião de nossas reuniões devocionais. O louvor deve ser o fruto dos lábios que confessam o nome do Senhor (Hb.13:15), ou seja, o louvor é o resultado de uma vida de confissão a Deus, de uma vida de arrependimento dos pecados, de uma vida diferente daquela que é vivida pelos homens que não têm a salvação.

- Sendo assim, o louvor não pode ser igual nem tampouco semelhante à música que é seguida e observada pelo mundo sem Deus e sem salvação. O louvor a ser entoado deve ter respaldo bíblico, não só com relação à letra, mas, e principalmente, com respeito à melodia e harmonia. Devemos fazer distinção entre o santo e o profano(Ez.22:26;44:23), pois este é um dever de todo sacerdote (e cada um de nós é um sacerdote diante de Deus - I Pe.2:9). O louvor é fruto daqueles que demonstram não estar conformados com o mundo (Rm.12:2). Como, então, poderemos demonstrar que estamos adorando a Deus, usando o fermento velho ? (I Co.5:7,8). É lamentável que estejamos numa época em que a música profana tem invadido completamente as nossas igrejas e ocupado o lugar dos nossos hinos sacros. A Bíblia fala que o verdadeiro culto devocional coletivo a Deus se faz com salmos, ou seja, com hinos inspirados, santos e distintos das demais músicas, das músicas mundanas e profanas.

- É interessante, também, observar que, embora o salmo seja uma parte importante e indispensável da devoção coletiva, não é a que deve ocupar a maior parte do tempo da reunião. A Bíblia mostra-nos que Jesus dedicou apenas uma pequena parte do culto de instituição da ceia para o louvor (Mt.26:30), hino, aliás, que, entendem muitos estudiosos da Bíblia Sagrada, seja o salmo 116 (ou seja, Jesus cantou um cântico selecionado, um cântico sacro, um cântico do hinário oficial de Israel). O louvor é importante, mas é apenas um instante de preparação para o momento principal da reunião, que é a exposição da Palavra de Deus. Hoje em dia, infelizmente, devido ao grande número de grupos musicais na igreja, sem se falar naqueles que preferem cantar individualmente, não raras vezes, três quartos do tempo da reunião são dedicados ao louvor, o que tem causado grande prejuízo espiritual ao povo de Deus. O alimento do homem é a Palavra de Deus e o excesso de louvores tem contribuído para o raquitismo espiritual da igreja nos nossos dias. Precisamos voltar aos tempos passados, onde se ouviam até três mensagens numa reunião. Como tem ensinado o professor Aristóteles Torres de Alencar Filho, vivemos o tempo do “louvorzão” e da “palavrinha”…

- O segundo ponto que deve estar presente numa reunião é a oração que, no texto mencionado por Paulo, é denominada de revelação, de língua e de interpretação. É indispensável que a igreja, reunida, busque a Deus em oração, para que tenhamos uma verdadeira adoração e a presença de Deus se faça sentir no meio dos crentes. Cada crente deve, assim que chegar à igreja, buscar a face do Senhor, orar para que o nome do Senhor seja glorificado na reunião. Nos dias antigos (e, atualmente, em outras denominações, que são tão criticadas por pontos secundários, mas que, neste aspecto, são muito mais reverentes e superiores a nós), o povo de Deus, ao chegar à casa do Senhor, dobrava seus joelhos e, numa atitude de reverência, seguindo o que determina a Bíblia Sagrada (Ec.5:1), orava ao Senhor até o início da reunião. Hoje em dia, estarrecidos, observamos que os crentes aproveitam este período para falar da vida alheia, rever os amigos, marcar encontros, entabular negócios e tantas outras coisas, menos para buscar a Deus. Acham que o culto começa no momento da oração inicial, quando, na verdade, não vimos à igreja para assistir a um culto, mas para prestarmos o nosso culto a Deus, juntamente com os demais cristãos, naquele local. O culto na igreja começa quando ali chegamos e devemos aproveitar o nosso tempo para orar e buscar a presença de Deus. As reuniões não têm sido mais proveitosas espiritualmente para os crentes exatamente porque não há este propósito de orarmos ao Senhor desde o instante de nossa chegada à igreja local.

- Além deste momento de oração antes do início da devoção coletiva, deve haver alguns momentos de oração durante a reunião, onde são publicadas as necessidades dos santos à igreja local, para um intercessão, bem assim comunicados os agradecimentos pelas bênçãos recebidas. Também este é o momento adequado para que se proceda a eventuais unções com óleo, que devem ser feitas exclusivamente sobre membros da igreja enfermos, que é a hipótese bíblica para unção na nova aliança (Tg.5:14). Também, neste momento, deve-se abrir oportunidade aos irmãos que queiram testemunhar das maravilhas que o Senhor tem feito em suas vidas.

- A parte mais importante da devoção coletiva, entretanto, é a que diz respeito à exposição da Palavra de Deus. A explanação da Palavra é uma necessidade imensa do povo de Deus e um dos principais motivos para a sua reunião coletiva. Se existe a igreja local, se existe este grupo com o devido governo constituído pelo Senhor, é, precisamente, para que haja o ensino da Palavra de Deus, tarefa primordial do ministério na casa do Senhor (cfr. At.6:2,4). Esta é a parte referente à doutrina mencionada por Paulo em I Co.14:26, o que deve ser gotejado incessantemente sobre a igreja (Dt.32:2). Doutrina é a exposição da Palavra do Senhor, do evangelho, dos ensinos de Deus para o homem, não se confundindo com usos e costumes. Eis a razão por que é requisito indispensável para a separação de alguém para o ministério a sua capacidade de ensinar as Escrituras (I Tm.3:2). Nossas reuniões devocionais devem dar prioridade à exposição da Palavra do Senhor com, no mínimo, duas pregações ao longo da reunião. Antes do término da reunião, deve haver uma mensagem final de convite aos pecadores para que aceitem a Cristo como Salvador, o nosso conhecido "apelo", que nunca deve faltar numa reunião devocional coletiva da igreja local, pois nosso objetivo primordial é ganhar almas para Jesus. Infelizmente, muitos, por incrível que pareça, têm eliminado esta parte do culto, fazendo com que tenhamos sérias dúvidas de que tenham, ainda, consciência de que uma reunião devocional não é um mero ajuntamento social.

- Com relação à exposição da Palavra de Deus, ainda, devemos nos lembrar que tudo deve ser feito sob a direção do Espírito Santo. A pessoa encarregada da presidência da reunião deve estar em completa e perfeita sintonia com o Espírito de Deus para que tudo conduza conforme a vontade dEle. Hoje em dia, porém, muitos têm posto simpatias pessoais, quando não interesses escusos, na definição de quem deve expor a Palavra na reunião. Devemos deixar o Espírito Santo com liberdade para, inclusive, indicar quem deve ser o pregador. Deus sabe qual é a necessidade do povo e o que deve ser dito. Precisamos sempre ter em mente isto quando formos escolher o expositor da Palavra. Aliás, devemos, de pronto, recusar os “pregadores profissionais” que, por dinheiro, se oferecem para pregar em nossas reuniões. A estes, verdadeiros seguidores do ex-mágico Simão, devemos sempre responder como Pedro: “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro”. (At.8:20).

- Também faz parte da devoção coletiva a parte referente à contribuição financeira para o sustento da obra do Senhor. As ofertas e os dízimos são parte de nossa devoção a Deus, de nosso compromisso com a pregação do Evangelho , como vimos nas lições 9 e 10 deste trimestre, são parte integrante e indissociável da nossa adoração. Não obstante, temos aqui apenas uma parte do culto devocional, que deve ser conduzida com moderação e devida explicação de seus objetivos aos ouvintes da Palavra de Deus, buscando-se, diante do mercantilismo reinante no mundo religioso dos nossos dias, haver um devido esclarecimento e, inclusive, relevando-se que se trata de uma obrigação dos crentes, não extensiva àqueles que estejam visitando a comunidade.


IV – A QUESTÃO LITÚRGICA A RESPEITO DAS LÍNGUAS ESTRANHAS E A ORDEM NO CULTO AO SENHOR

- A questão mais importante a respeito da desordem do culto em Corinto dizia respeito ao mau uso do dom de línguas, que o apóstolo trata no capítulo 14. Embora seja um texto muito citado pelos evangélicos tradicionais, como forma de menosprezar e depreciar os pentecostais, o fato é que, ao lermos o ensino de Paulo a respeito, não há qualquer proibição ou restrição ao uso dos dons espirituais de línguas estranhas na devoção coletiva. Paulo, apenas, fiel ao propósito que deve nortear uma reunião desta natureza, esclarece que, se alguém falar em língua estranha, deve fazê-lo de tal modo que não perturbe o desenvolvimento da reunião, pois a língua estranha, sem interpretação, é para a edificação individual e, numa reunião devocional coletiva, nós devemos buscar a edificação de todos, não a do indivíduo. Assim, se, num ambiente privado, devemos dar vazão às línguas estranhas que falarmos, pois estaremos na nossa intimidade com Deus, na reunião devocional coletiva, deveremos observar se Deus está nos dando a interpretação ou se alguém está sendo usado para tanto. Caso contrário, devemos nos conter e impedir que as nossas línguas impeçam as demais pessoas de ouvir a mensagem da palavra de Deus ou o que estiver sendo realizado na reunião naquele momento. Temos de reconhecer que nossas igrejas locais não têm sido rígidas cumpridoras deste princípio bíblico e que devemos nos esforçar para que isto ocorra, pois devemos ser cumpridores da Palavra (Tg.1:22), mas usar esta falha para defender que não se devam falar em línguas num culto é puro preconceito religioso, sem qualquer respaldo bíblico, sendo, mesmo, uma postura diametralmente oposta ao que ensinam as Escrituras, que não admitem que se proíba falar em línguas estranhas (I Co.14:39; I Ts.5:19).

- Precisamos, porém, diferenciar as línguas como sinal do batismo com o Espírito Santo e as línguas que são dons espirituais. Todo o que é batizado com o Espírito Santo, fala em línguas estranhas, como, aliás, percebeu Charles Purham em seu seminário em Topeka, no Kansas, quando estudou o assunto, “descoberta” que foi importantíssima para que se iniciasse o avivamento cujo centenário celebramos neste ano de 2006. No entanto, o dom de variedade de línguas é coisa diversa, pois se trata de um dom espiritual que não é dado a todos os crentes, embora seja o dom mais disseminado no meio do povo de Deus da atualidade.

- As línguas estranhas como sinal do batismo com o Espírito Santo se trata de um falar sobrenatural em que se enaltece as grandezas de Deus (At.2:11). As pessoas, portanto, no instante em que recebem o batismo com o Espírito Santo, começam a falar com Deus, a exaltá-lO, a louvá-lO, a glorificá-lO de uma forma evidente e que pode ser notada e contemplada por todos os homens. O batismo com o Espírito Santo é uma demonstração do poder de Deus, é uma exuberante oportunidade em que o Espírito Santo usa um servo de Deus para magnificar o nome do Senhor e levar o mundo a conhecer as grandezas de Deus, por intermédio da sobrenaturalidade. Enquanto sinal, portanto, as línguas estranhas têm como objetivo, mesmo, impactar os infiéis, dar mostra do poder de Deus a tantos quantos ouvirem e contemplarem o fenômeno e, portanto, não há conduta, não há regra que possa disciplinar a sua ocorrência. Disto a Bíblia nos dá conta porque não há duas ocorrências que sejam idênticas no recebimento do batismo com o Espírito Santo. As cinco narrativas bíblicas têm peculiaridades, numa prova de que não há um método, não há um ritual, uma forma específica para o revestimento de poder e, consequentemente, do falar em línguas estranhas, algo que sempre ocorre quando alguém é batizado com o Espírito Santo. Por isso, não devemos nos escandalizar nem estranhar testemunhos de pessoas que foram batizadas com o Espírito Santo enquanto trabalhavam, faziam tarefas domésticas, como já ouvimos em nossos anos de fé.

- Já o dom de línguas não segue o mesmo regime normativo. Sendo um dom espiritual, tem como finalidade a edificação espiritual, não é uma simples transmissão do poder divino por si só, mas, como dom espiritual, é algo que tem um objetivo de edificação, de construção espiritual do povo de Deus. O dom de línguas tem, assim, um fim diverso do sinal do batismo com o Espírito Santo. Este fim, diz-nos Paulo, é, em primeiro lugar, a edificação individual do falante (I Co.14:4); em segundo, permitir que a mensagem que serve de edificação individual do falante possa ser interpretada e seja conhecida por toda a igreja que, assim, poderá compartilhar desta edificação do falante (I Co.14:5).

- Diante desta finalidade, o dom de línguas deve ser exercido conforme algumas regras, regras estas que estão na Bíblia Sagrada. Se o objetivo do dom de línguas é a edificação individual do falante, as línguas não devem ser faladas para que todos ouçam, mas devem fazer parte da devoção individual da pessoa. É um falar de espírito humano ao Espírito de Deus, que edifica o espírito do falante, que permite uma comunicação direta com o Senhor, comunicação esta que é uma troca de segredos entre Deus e o homem, uma demonstração da maior intimidade que pode haver entre Deus e o homem. Por isso, é algo que deve estar no nosso instante diário a sós com Deus, naquele momento em que estaremos em secreto com o Senhor (Mt.6:6). Era nesta situação de intimidade que Paulo falava mais línguas do que todos os coríntios (I Co.14:18) e que ensinou não ser possível que o governo eclesiástico proíba que um crente fale em línguas (I Co.14:39), pois se trata de uma manifestação adequada à devoção individual, sobre a qual ninguém tem domínio na igreja local.

- Se a edificação é individual do falante, nas reuniões da igreja local, não podem, portanto, os crentes querer ficar falando em línguas estranhas, para serem ouvidos pelos demais, pois o dom de línguas não tem qualquer papel coletivo, a menos que se esteja diante do segundo fim do dom de línguas, qual seja, o de ser o início de um processo que culminará com a interpretação da mensagem, para que toda a igreja possa compartilhar da edificação do falante. Segundo, pois, o ensino do texto sagrado, a pessoa que tem o dom de línguas somente poderá falar em línguas de forma a ser ouvido pelos demais, numa reunião, numa devoção coletiva (seja familiar, seja na igreja local), se a mensagem for para ser interpretada, por ele mesmo (se também tiver o dom de interpretação) ou por outrem(I Co.14:27). Se começar a falar em línguas na reunião e perceber que não há quem a interprete, deverá ficar calado na igreja, contendo-se, apenas falando em línguas em instantes em que a liturgia permite a manifestação individual de cada um (momentos de louvor, de oração ou similares) (I Co.14:28).

- Sabemos que não tem sido esta a forma pela qual os crentes pentecostais têm se comportado, notadamente nós, das Assembleias de Deus no Brasil, mas é para isto que estamos frequentando a Escola Bíblica Dominical, para conhecermos e prosseguirmos em conhecer ao Senhor, adequando-nos cada vez mais aos princípios e ensinamentos da Palavra de Deus, pois não somos perfeitos, somos seres humanos, mas, como salvos, devemos nos aperfeiçoar até atingir a condição de varões perfeitos, a medida da estatura completa de Cristo (Ef.4:13). Muitos têm confundido barulho com fervor espiritual, esquecendo-se que, nas Escrituras, o barulho que chama a atenção da multidão é o da língua estranha enquanto sinal do batismo com o Espírito Santo (I Co.14:22), não enquanto dom espiritual. A inobservância desta regra bíblica somente trará escândalo e prejuízo à causa do Evangelho (I Co.14:23). Será que as pessoas que têm causado barulho intenso nas reuniões da igreja local, que perturbam a reunião, que impedem que as pessoas ouçam a mensagem, em especial as que não são crentes, costumam passar horas em oração, nas madrugadas, falando em línguas com o Senhor ? Será que são pessoas que têm efetiva intimidade com Deus ou querem apenas aparecer, nas reuniões, tomando para si uma atenção que deveria estar voltada apenas para o Senhor? Será que têm sido demonstrações do poder de Deus ou instrumentos do adversário para atrapalhar a operação divina em nossas reuniões?
OBS: "…Precisamos encarar com suspeita aquelas congregações locais que dependem de elevada dose de levante emotivo nos cultos, a fim de ' fazer baixar' o poder. É fato bem conhecido que no frenesi da emotividade, as pessoas com frequência entram nos estágios iniciais de um transe; e, nessa condição, ficam sujeitas à influência de certos 'espíritos' e não apenas do Espírito Santo. Além disso, sem que tenha consciência do fato, uma pessoa pode ' auto-hipnotizar-se'. É, então, neste estado, despertando poderes psíquicos naturais, que se confundem as manifestações do Espírito com as manifestações do espírito humano. Nesse estado, várias ' imitações' podem evidenciar-se. Os êxtases não são errados por si mesmos, porquanto Pedro e Paulo experimentaram transes, e então receberam visões. Isso é típico das experiências místicas; e algumas vezes é até um fenômeno necessário(…). A mesma coisa sucede hoje em dia no espiritismo e entre os místico em todo o mundo. Com base nesses fatos, pode-se perceber facilmente que o contato com o sobrenatural, com profecias verdadeiras, com o falar em línguas, com as curas, com todas as manifestações dessa natureza, através das experiências místicas, não precisam ser originadas por uma única fonte, necessariamente boa e justa. Assim sendo as coisas, devemos ser cautelosos em nossa aquilatação das ' realidades' e da ' falsidade' de manifestações que vemos e ouvimos. A regra de Cristo estipula que podemos conhecê-los pelos frutos(…). Isso não significa, contudo, que não devamos buscar os dons espirituais, mas significa que devemos buscá-los somente através do ' desenvolvimento' espiritual, e não como desejo de obter acesso à espiritualidade mediante algum atalho fácil. Pode-se dizer, com toda a confiança, que aquele que tem o preparo espiritual prévio, que anela em sua busca espiritual, que tem a vida moral que o aponta como um crente digno, pode buscar e obter os dons espirituais.…" (CHAMPLIN, R.N.. Dons espirituais. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p.218).

- Quem recebe o dom de línguas, recebe, juntamente com o dom espiritual, uma responsabilidade: orar para que possa interpretar as línguas que fala ou que Deus levante alguém que as possa interpretar durante as reuniões. Este é um dever de quem recebe este dom, conforme nos ensinou o apóstolo Paulo (I Co.14:13). Se um crente recebe o dom de línguas, recebe, também, o dever de orar para que as línguas sejam interpretadas e, se não o faz, i.e., se não ora neste sentido, estará se portando como o servo que enterrou o talento do seu Senhor (cfr.Mt.25:25). Quando recebemos do Espírito Santo o dom de línguas tem, portanto, a obrigação de orar para que o Senhor interprete a língua que está sendo falada, a fim de que todo o povo de Deus, na igreja local, possa compartilhar da edificação. Enquanto isto não ocorrer, é imperioso que o falante de língua estranha mantenha-se calado na igreja, apenas falando em língua, como dissemos, nos instantes de devoção individual na reunião.

- A interpretação das línguas estranhas equipara o dom de línguas ao dom de profecia, que, segundo o ensinamento de Paulo, é o dom mais excelente, pois, através dele, a comunidade obtém consolação, exortação e edificação (I Co.14:3,5). É sabido que, sem profecia, o povo se corrompe (Pv.29:18). Aos crentes que têm o dom de línguas, portanto, foi dada uma grande responsabilidade: o de orarem, intercederem pela sua igreja local, a fim de que não haja corrupção no meio da comunidade. Quantos crentes que, por falarem em línguas estranhas, se acham superiores e mais espirituais que os demais e que, por isso, são duros e implacáveis com aqueles crentes que, por falta de vigilância, acabam fracassando espiritualmente ? Mal sabem eles que parte desta corrupção que se introduz no meio do povo de Deus é da sua responsabilidade, pois, por serem detentores do dom de línguas, deveriam orar para que seu falar em línguas fosse interpretado e, assim, estes crentes mais fracos e vacilantes pudessem ser edificados, consolados e exortados, o que, certamente, inibiria muitos de caírem em pecado. Não nos esqueçamos de que quem há muito é dado, muito será cobrado.

- Por tudo que temos dito até aqui, não é surpresa para qualquer dos amados irmãos que têm lido este comentário, que a conclusão a que chegamos é a de que o dom de variedade de línguas é um dom espiritual que deve ser submetido ao julgamento dos demais crentes, ao julgamento da igreja local.

- Quase todos os crentes sabe que o dom de profecia deve ser julgado pela comunidade, pois, como afirmam as Escrituras, o espírito do profeta está sujeito ao profeta (I Co.14:32). A profecia é dada pelo Espírito Santo ao crente detentor deste dom espiritual e o espírito do profeta entrega a mensagem à igreja, mas, antes desta entrega da mensagem divina, esta mensagem passa pelo intelecto do profeta, de modo que poderá ele, se o quiser, deturpar a mensagem, pois Deus não retira o livre-arbítrio do homem, pois é um ser moral, verdadeiro e de caráter e que não muda nem nEle há sombra de variação (Tg.1:17). Tendo feito o homem com liberdade (Gn.2:16,17), nunca a suprimirá. Tanto assim é que a Bíblia dá-nos um exemplo, ainda no Antigo Testamento, de um profeta sincero e fiel a Deus que, num momento de deslize, resolveu profetizar por conta própria. Imediatamente após este gesto de iniciativa própria, Natã teve de comparecer diante do rei Davi e se retratar, por determinação do Senhor (II Sm.7:1-17).

- Com relação ao dom de variedade de línguas, entretanto, como não há uma explícita determinação bíblica, bem como diante da sua disseminação no meio do povo de Deus que crê no evangelho completo e na atualidade da experiência pentecostal, há um comportamento um tanto quanto diferente e um entendimento de que o exercício deste dom está imune a qualquer julgamento da coletividade ou dos demais crentes. Há uma quase que veneração do dom de línguas, considerado como uma manifestação direta do Espírito Santo, que não tem intermediação do entendimento humano e que, portanto, está acima de qualquer suspeita.

- Contudo, não é este o ensinamento bíblico. O dom de variedade de línguas é considerado inferior ao dom de profecia(I Co.14:1-5), uma vez que, enquanto este visa a edificação de toda uma comunidade, aquele apenas se refere à edificação individual, sendo, pois, menos abrangente e de menor utilidade, que é o critério que Paulo diz que deve ser sempre buscado no exercício dos dons espirituais, que existem não para enaltecimento dos seus detentores, mas para o aprimoramento espiritual da Igreja e facilitação de suas tarefas neste mundo(I Co.12:7). Quando o dom de variedade de línguas é acompanhado de interpretação, então é equiparado ao dom de profecia (I Co.14:5,15). Se assim é, pois, quando houver interpretação, a mensagem deve ser julgada tanto quanto uma profecia, pois tem o mesmo valor que uma profecia. Deste modo, também se determina o julgamento de uma mensagem em língua estranha que seja interpretada, pois, de igual forma, o espírito do intérprete está sujeito ao intérprete.

- E se não houver interpretação? Ora, se não houver interpretação, o falante deve ficar calado na igreja. Se não o fizer, deve ser julgado, sim, pela comunidade, para que se saiba porque está falando em língua estranha em momento em que as Escrituras mandam calar-se. Está falando porque também está interpretando a mensagem? Está falando porque outrem está interpretando ? Está falando porque não foi corretamente ensinado? Está falando porque está sendo batizado com o Espírito Santo? Está falando porque quer aparecer diante da comunidade? Está falando porque não quer deixar que a Palavra de Deus seja pregada? Está falando porque é um instrumento das trevas? Este julgamento não é incredulidade, blasfêmia ou seja lá o que se quiser achar, mas simples aplicação da Bíblia Sagrada. Precisamos fazer um culto racional, um culto com entendimento ao Senhor. Tais meninices e, muitas vezes mesmo, perturbações malignas, em nossas reuniões, são um desserviço, ou seja, são obstáculos a que possamos oferecer a Deus um sacrifício santo e agradável a Ele. Tenhamos discernimento espiritual e sejamos zelosos para que apenas o Espírito Santo atue em nossa devoção ao Senhor.

Caramuru Afonso Francisco